20 de outubro de 2026 · 8 min de leitura
Arquivo de arte para impressão de evento: medida, sangria, resolução e cor
A peça de evento mais cara é a que precisa ser impressa duas vezes. E, na maioria das vezes, o motivo não é a impressora: é o arquivo. Logo cortado na borda, texto pixelado num painel de 4 metros, vermelho da marca que virou laranja, letra que sumiu porque a fonte não foi junto. Tudo isso se resolve antes de imprimir, com meia hora de cuidado no fechamento.
Este guia é para quem vai mandar a arte — o designer da agência, o marketing da empresa ou o próprio dono da festa que montou o layout no computador. Não é um manual de programa de edição; é a lista do que a produção confere quando o arquivo chega, e por quê.
1. Medida: trabalhe no tamanho final (ou em escala exata)
O arquivo precisa ter a medida da peça impressa, não "mais ou menos". Um painel de 3 × 2,5 m é um arquivo de 3 × 2,5 m.
Para peça muito grande, é prática comum montar o arquivo em escala 1:10 — o painel de 6 × 3 m vira um documento de 60 × 30 cm. Os programas lidam melhor com arquivos menores e a impressão é feita ampliando dez vezes. Funciona bem, desde que três coisas fiquem claras:
- a escala usada esteja escrita no nome do arquivo ou num bilhete junto (
ESCALA 1-10); - a resolução das imagens seja calculada já pensando na ampliação (veja o item 4);
- a sangria e a margem também estejam em escala.
O erro clássico é mandar um arquivo em proporção errada — 16:9 de apresentação para um painel quadrado — e esperar que a produção "ajuste". Ajustar significa cortar ou distorcer, e ninguém quer a logo esticada.
2. Sangria: a sobra que garante a borda
Sangria é uma faixa extra de imagem além da medida final, que existe para ser cortada ou dobrada. Sem ela, qualquer variação mínima de corte deixa um filete branco na borda.
Referências que usamos como ponto de partida (confirme com a produção, porque muda com o acabamento):
- Placa rígida e adesivo recortado: alguns milímetros de sangria em cada lado costumam bastar.
- Lona com bainha ou ilhós: sobra maior, porque parte da lona dobra para dentro do acabamento.
- Tecido tensionado em quadro: a sobra precisa cobrir a lateral do quadro e o encaixe de silicone. Aqui a sangria é medida em centímetros, não em milímetros, e o gabarito do fornecedor manda.
Fundo, cor chapada e foto devem ir até o fim da sangria. Só o conteúdo importante fica dentro da margem.
3. Margem de segurança: onde nada importante pode ficar
Margem é o contrário da sangria: uma faixa para dentro da borda onde não deve haver texto, logo nem rosto. É ali que entram ilhós, bastão, a dobra do tecido e a variação de corte.
Em lona com ilhós, deixe uma distância generosa entre o texto e a borda — ninguém quer um furo no meio do nome do evento. Em painel de foto, pense também no que fica escondido atrás de quem posa: a logo principal não deve ficar exatamente na altura das cabeças, e sim acima delas.

4. Resolução: depende da distância de leitura
Resolução não é número mágico. Um painel visto a 5 metros não precisa da mesma densidade de um folheto lido na mão. Como referência prática da casa:
- Peça vista de perto (até 1 metro): totem, placa de mesa, balcão. Imagens com resolução alta no tamanho final.
- Peça vista a alguns metros: painel de foto, banner de palco. Resolução média no tamanho final já entrega boa nitidez.
- Peça vista de longe: lona de fachada, faixa de rua, testeira alta. Resolução bem mais baixa resolve, porque o olho não chega perto.
O que realmente estraga a peça é foto pequena ampliada além do limite: a imagem de 800 pixels baixada da internet esticada para dois metros. Na dúvida, mande a foto original, a maior que você tiver, e a produção diz se aguenta o tamanho.
Atenção à escala 1:10: se o arquivo está em um décimo do tamanho, a resolução das imagens nele precisa ser dez vezes maior do que a resolução desejada no tamanho final.
5. Vetor ou imagem? Logos e textos em vetor
- Vetor (arquivos
.ai,.eps,.pdfvetorial,.svg) é feito de formas matemáticas e amplia sem perder qualidade. Logo, texto, ícone e grafismo devem vir assim. - Imagem (
.jpg,.png,.tif) é feita de pixels e tem limite de ampliação. Foto é imagem por natureza.
Logo em .jpg pequeno é o problema mais comum que recebemos. Se a empresa não tem o vetor, vale pedir à agência que criou a marca — ou contratar o redesenho antes do evento, não durante.
6. Fontes: converta em curva
Fonte instalada no seu computador não está instalada no da produção. Se o arquivo abrir sem ela, o programa troca por outra e o layout desmonta. A solução é converter o texto em curvas (ou contornos) antes de enviar, ou mandar as fontes junto.
Ao converter, guarde uma cópia editável: depois de virar curva, o texto não pode mais ser corrigido. E revise a grafia antes, porque nome errado em curva é nome errado impresso.
7. Cor: a tela mente
A tela do computador mostra cor com luz (RGB). A impressão mostra cor com tinta (CMYK). Algumas cores da tela simplesmente não existem em tinta: o azul elétrico, o verde-limão e o laranja muito vivo costumam sair mais apagados no papel e na lona.
Boas práticas:
- Monte o arquivo em CMYK e veja como as cores ficam antes de enviar.
- Se a marca tem cor de referência (código de cor do manual da marca), informe. Ajuda a produção a buscar o tom mais próximo no material escolhido.
- Preto profundo em área grande: um preto "composto" (com um pouco de outras cores além do preto) fica mais denso que o preto puro em fundos grandes. Mas texto pequeno deve ficar em preto puro, para não aparecer borrado por desalinhamento. Siga a orientação da produção sobre a composição exata.
- Materiais diferentes, cores diferentes. A mesma arte impressa em lona, tecido e adesivo pode sair com pequenas variações. Quando a peça vai lado a lado, vale imprimir tudo no mesmo material.
8. Emendas em peça grande
Peça maior que a largura da impressora sai em partes e é emendada. Em lona, a emenda é solda ou costura; em adesivo de parede, é sobreposição de faixas; em painel rígido, é junta entre placas.
Na arte, isso significa: não coloque texto miúdo ou o olho de alguém exatamente onde a emenda vai cair. Pergunte à produção onde ficarão as divisões e desenhe pensando nelas.
9. Nome do arquivo e organização
Parece detalhe, mas arquivo bem nomeado evita a peça errada no lugar errado. Uma sugestão de padrão:
EVENTO_PECA_LARGURAxALTURA_MATERIAL_VERSAO.pdf
Por exemplo: NATAL-EMPRESA_PAINEL-RECEPCAO_300x250_TECIDO_v3.pdf. Mande só a versão final; arquivos "final", "final2" e "final-agora-vai" na mesma pasta são convite ao erro.

Trabalho real do grupo — AVA.
10. Prova antes de imprimir
Antes de produzir, peça (e aprove) uma prova: pode ser um PDF de conferência com medidas cotadas, um mockup da peça no ambiente ou, em peça de cor crítica, um teste impresso pequeno. A prova é o momento de pegar:
- grafia de nomes (homenageados, patrocinadores, debutante);
- datas e horários da programação;
- logo de patrocinador na versão certa e na cota certa;
- QR Code funcionando (teste com mais de um celular).
Em evento com muitas peças, uma planilha simples com cada item, medida, material e status de aprovação vale mais do que cinquenta mensagens soltas no WhatsApp. É o que sugerimos no cronograma de comunicação visual para eventos.
Não tem arte? Também resolvemos
Nem todo evento chega com designer. Para festas, comércio local e eventos de empresa menores, montamos o layout a partir do tema, das cores e dos logotipos que você mandar — e seguimos exatamente estas regras ao fechar o arquivo. Veja os tipos de evento que atendemos em eventos, por exemplo Natal na empresa, inauguração de loja de rua e seminário e workshop.
E, se você ainda está escolhendo em que material imprimir, o comparativo de lona, tecido ou adesivo ajuda a decidir antes de fechar a arte — porque o material muda a sangria, o acabamento e até a cor.
Perguntas frequentes
Posso mandar a arte em PNG ou JPG?
Para fotos, sim, desde que na maior resolução disponível. Para logo e texto, o ideal é vetor (PDF vetorial, AI, EPS ou SVG). Logo em JPG pequeno costuma sair serrilhado em peça grande.
O que é escala 1:10?
É montar o arquivo com um décimo da medida real: um painel de 4 × 2 m vira um documento de 40 × 20 cm. A peça é impressa ampliada. Funciona bem, desde que a escala esteja informada e as imagens tenham resolução suficiente para a ampliação.
Por que a cor impressa ficou diferente da tela?
Porque a tela mostra cor com luz e a impressão usa tinta, que não reproduz todos os tons da tela. O material também influencia. Montar em CMYK, informar a cor de referência da marca e aprovar uma prova reduzem a diferença.
Quanto de sangria devo deixar?
Depende do acabamento: placa e adesivo pedem pouca sobra; lona com bainha e tecido em quadro pedem bem mais. Antes de fechar, peça à produção o gabarito ou a sangria de cada peça.
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